"O que vos digo na escuridão, repito-o à luz do dia, e o que escutais em segredo, proclamai-o sobre os telhados" (Mt-10,27)

28 de março de 2012

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Mais uma novidade, agora você pode ouvir música enquanto lê os posts! O player fica localizado na parte inferior do blog, e veja como é fácil de usar.



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26 de março de 2012

Graças ao ‘sim’ de Maria, podemos proclamar: Deus está conosco!

“Disse Maria: 'Eu sou a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra'” 
(Lc 1,38). Estamos celebrando, hoje, a Festa da Anunciação do Senhor, dia em que veneramos o começo da vida de Jesus Cristo, Verbo encarnado no seio de Maria. Começa, exatamente aqui, um novo período da história. Deus está conosco!
Essa festa é uma das mais antigas solenidades marianas da história da Igreja. Já era celebrada, no Oriente, na metade do século V. Temos notícias de que, no século VII, a procissão da Quaresma era realizada, neste dia, para a Igreja de Santa Maria Maior. Essa solenidade quer nos levar ao Cristo Redentor por meio do ‘sim’ dito por Maria Santíssima.
Toda a obra redentora depende do ‘faça-se’ de Maria. Disso, a Virgem tem  plena consciência, pois sabe o que Deus lhe propõe. Então, ela consente no que o Senhor lhe pede, sem restrição nem condição. O seu “fiat” responde à amplidão das proposições divinas e se estende a toda a obra redentora.
Foi fundamental a resposta de Maria, pois, naquele seu diálogo com o Anjo – certificada da sua virgindade -, ela ousa responder: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lucas 1,38).
Trata-se de uma resposta admirável de bondade, mas também de humildade e prudência. Com essa atitude, Maria manifesta mais do que sua incomparável humildade e obediência; ela expõe a grandeza da sua fé, entregando-se inteiramente à ação divina sem questionamentos, muito menos tem a pretensão de penetrar o profundo mistério ou pensar, sequer, nas consequências das quais se arriscava.
E você, como tem respondido ao Senhor? Em que você tem baseado sua resposta para Deus?
Por um ‘faça-se’ apenas, o Verbo divino se encarnou no seio puríssimo e virginal de Maria. É, portanto, pelo seu ‘sim’ que Deus se fez homem. Desse modo, formou-se, no seio da Virgem Maria – por força do Espírito Santo -, o Corpo de Cristo, unindo-se o corpo à Sua alma humana criada do nada e, consequentemente, a divindade unindo-se ao corpo e à alma de Deus humanizado – Jesus Cristo. A partir daí, Aquele que é Deus verdadeiro tornou-se também verdadeiro Homem, num mistério chamado hipostático, e a bem-aventurada Virgem Maria tornou-se, na realidade, a Mãe verdadeira de Deus.
Meus irmãos, veja que, se observarmos, na história do mundo e dos homens, encontraremos dois ‘faça-se’ ou ‘sim’. O primeiro, no ato da criação, o próprio Deus pronunciando ‘faça-se!’ e todas as coisas aparecerem do nada. No final, a Bíblia afirma que“Deus viu que todas as coisas eram boas”.
O segundo ‘faça-se’ é o de Maria. Uma resposta obediente e belíssima. Com o primeiro‘faça-se’, Deus tirou do nada o Universo com a sua perfeição e ordem: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento a obra das suas mãos” (Sl 18,1).
Com o segundo – o de Maria – “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14), num mistério de duas naturezas em uma mesma Pessoa.
Quero lembrá-lo que o seu ‘sim’ ou ‘faça-se’ pode transformar vidas, libertar pessoas dos vícios, das drogas, da prostituição, do álcool, do adultério, da ganância, do roubo… O seu ‘sim’ pode curar os doentes e ressuscitar os mortos. Pode introduzir os seus em Céus Novos e Terra Nova.
Assim como nossa Mãe, Maria, somos chamados a levar a Boa Nova a todas as pessoas do mundo para irradiar neles o amor que Jesus nos proporciona junto com nossa Mãe. Neste mistério, aprendamos com a Virgem Maria o espírito de serviço para com o próximo.
A exemplo dela  – e reconhecendo a humildade de Maria no Magnificat – prometamos que seremos humildes e caridosos com o nosso próximo. Ainda mais por causa do nosso ‘faça-se’, do nosso ‘sim’ ao chamado especial de Cristo. Peçamos ao Senhor que nos ajude a ser caridosos e solidários com o próximo, principalmente com os mais necessitados.
Nesta Solenidade da Anunciação do Senhor, aprendamos com Maria a virtude da humildade. Que ela nos ajude a ser simples, humildes e generosos de coração para transmitir, com alegria, a Palavra de Deus.
Maria quer nos ensinar também a sempre nos colocar a serviço do Senhor. Peçamos a Jesus que nos ajude a reconhecer a Sua presença no meio de nós. Que saibamos dizer ‘sim’ – como fez Maria – à Sua vontade.

PE. Bantu Mendonça
Link para o Evangelho de hoje: (Lucas  1, 26-38)

18 de março de 2012

Evangelho Dominical #01


Evangelho (João 3, 14-21)
4° Domingo da Quaresma.

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 14“Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. 16Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18Quem nele crê, não é condenado, mas, quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito. 19Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. 20Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. 21Mas, quem age conforme a verdade, aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus. 

- Palavra da Salvação. 
- Glória a vós, Senhor. 



Homilia do Pe. Paulo Ricardo (Arquidiocese de Cuiabá-MT)

Espero que gostem da novidade, e comentem. Tenham todos um ótimo domingo. E descansem na Paz de Cristo!

16 de março de 2012

O que é Quaresma?




O tempo quaresmal é o tempo litúrgico de conversão estabelecido pela Igreja para que nos preparemos para a grande festa da Páscoa. É tempo de nos arrependermos dos nossos pecados e de mudar algo em que precisamos ser melhores para viver mais próximos de Cristo. A Quaresma dura 40 dias; começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos. Ao longo desse período, sobretudo na liturgia do domingo, fazemos um esforço para recuperar o ritmo e o chamado de verdadeiros filhos de Deus. A cor litúrgica desse período é o roxo, que significa luto e penitência. É um período de reflexão, de penitência, de conversão espiritual em preparação para o mistério pascal. Na Quaresma, Cristo nos convida a mudar de vida. A Igreja nos convida a viver esse tempo como um caminho a Jesus Cristo, escutando a Palavra de Deus, orando, compartilhando com o próximo e praticando boas obras. Ela nos convida a viver atitudes cristãs a fim de que nos pareçamos mais com Jesus Cristo, já que por ação do pecado, nos afastamos de Deus. Por isso, a Quaresma é o tempo especial do perdão e da reconciliação fraterna. A cada dia, durante a vida, devemos retirar de nosso coração o ódio, o rancor, a inveja, os zelos que se opõem ao nosso amor a Deus e aos irmãos. Nesse tempo, aprendemos a conhecer e a apreciar a cruz de Jesus. Com isso aprendemos também a tomar nossa cruz com alegria para alcançar a glória da ressurreição.

Nosso passaporte para o Céu é o amor.



No tempo de Jesus, havia uma ala do Judaísmo tendente ao exagero, a ponto de reduzir a fé a um complexo de leis e mandamentos de difícil execução. Mas será que Deus quer mesmo transformar nossa vida num infindável “pode/não pode”, “deve/não deve”, “é permitido/é proibido”? Não, pois uma religião vivida, desta forma, torna-se empobrecedora, porque faz do indivíduo um escravo da Lei sem tempo para relacionar-se com o Senhor de maneira prazerosa e alegre.
Neste ambiente, um mestre da Lei de Moisés reconhece Jesus como Mestre e,  tentando acalmar a discussão que se tinha levantado à volta do Senhor, interroga-O: “Qual é o mais importante de todos os mandamentos da Lei?”.
Partimos do princípio de que os escribas eram intelectuais, conhecedores profundos e pormenorizados dos textos da Lei de Moisés. Sendo assim, Jesus – olhando bem para aquele homem – poderia até se questionar: “Como é possível este escriba não saber qual é o maior mandamento da Lei?”.  
Mas, mesmo assim, Jesus lhe responde:
“Escuta Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as tuas forças. E o segundo mais importante é este: Amarás próximo como a ti mesmo. Não existe outro mandamento mais importante do que esses dois” (Marcos 12,29-31).
Jesus, fazendo uma análise da figura desse escriba e de seu interesse, chega à conclusão de que ele “não está longe do Reino de Deus”.
Pelos detalhes, essa narrativa assemelha-se à cena do jovem rico (Mc 10,17-22), ao qual apenas faltou dar tudo aos pobres para seguir a Jesus. Ao escriba, no entanto, faltava romper seus laços com as doutrinas e observâncias legais. E para você, o que falta? Que barreira você deve romper para seguir e adorar ao Deus único e verdadeiro? Saiba que a expressão da sua adesão ao amor de Deus não é o culto religioso nem a observância do domingo ou o cumprimento de liturgias, mas o amor concreto e solidário ao próximo, que se resumem em “amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo”.
Nesta resposta de Jesus, vemos duas realidades. A relação “do homem com Deus” e “do homem com o homem” para, depois, voltarem os dois juntos a Deus, princípio e fim de toda a humanidade.

Portanto, o segundo mandamento completa o primeiro. Em conjunto, eles resumem toda a Lei e os profetas. Sendo assim, Jesus explica ao escriba a impossibilidade que existe em cumprir o primeiro mandamento sem o segundo.
Para João não é possível amar a Deus – que não vemos – se não amarmos o nosso próximo que vemos. Se assim for, não passamos de mentirosos, porque Deus Pai é amor e, quem O ama, deve amar também o irmão. Logo, os dois mandamentos se abraçam e se completam. Esse é o modelo que o próprio Evangelho nos apresenta na relação amistosa entre Jesus e o escriba, pois ambos se elogiam reciprocamente. Nisso consiste o amor: no reconhecimento de uma recíproca igualdade e numa mútua e perpétua fidelidade.
A fé pregada por Jesus apóia-se em dois pilares: o amor a Deus e o amor ao próximo. Isso é essencial. Tudo o mais é complemento e pode ser relativizado. Quem ama a Deus recusa toda forma de idolatria, não aceita ser subjugado por nenhum outro senão Ele. Quem ama o próximo põe freios ao seu egoísmo, de modo a jamais lhe desejar o mal ou fazer algo que possa prejudicá-lo.
Ante a sábia resposta do Verdadeiro Mestre, o escriba – no diálogo com Jesus – enxerga e afirma que o amor a Deus e ao próximo supera todos os holocaustos e sacrifícios. Reconhece, assim, os dois maiores mandamentos. Jesus, então, afirma que ele não está longe do Reino de Deus.
A única exigência da religião de Jesus é que a pessoa não coloque a si mesma como centro, mas Deus e o amor ao próximo como passaporte para o Reino do Céu. A expressão de nossa adesão ao amor do Pai não é o culto religioso, mas o amor concreto e solidário, pois o outro é a ponte, é a escada, o passaporte que nos faz atravessar o Mar Vermelho, o deserto, a morte em direção à terra prometida, “de onde jorra leite e mel”, ou seja, a nossa pátria definitiva: o Reino do Céu!

Pe. Bantu Mendonça